sexta-feira, 29 de abril de 2011

O papel da Educação nos tempos atuais

"Educar é amar."


Acredito ser pertinente uma discussão sobre o papel da Educação em nossa sociedade nos tempos atuais e este é o tema de minha postagem hoje, caro leitor.

Primeiramente citarei a peça central desse debate: o professor. Infelizmente, a despeito de ser uma das profissões de maior importância (tenho dúvidas se não é a maior de todas elas), pouco, ou quase nenhum mérito lhe é dado. Se ser advogado, médico, engenheiro, executivo e etc é motivo de orgulho, ser professor beira à chacota. Há quem sustente que muito da culpa está nos próprios profissionais da área. Existe, em especial no ensino público, muitos professores despreparados, com deficiências linguísticas, de cultura geral e didática. Talvez fique difícil respeitar um profissional assim. O professor precisa entender que ele nunca pode parar de estudar e de atualizar-se.

O educador Paulo Freire, em Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra salienta a importância do estudo constante do professor e de sua produção escrita (recomenda que se escreva ao menos três vezes na semana). É também de Paulo Freire a ideia do fim do “professor bancário” que simplesmente transfere conteúdo aos seus alunos.(Vide: Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa). Ensinar é criar possibilidades para a própria construção do conhecimento, sempre respeitando o educando. A autoridade do professor se assenta em sua competência profissional. Como esperar que os alunos respeitem alguém que eles não admiram? O professor deve ser exemplo de bom comportamento, tolerância, respeito às diferentes crenças, opções sexuais, raças e culturas. Deve mostrar conhecimento do que ensina, para passar confiança aos seus alunos. É também de competência do educador despertar o senso crítico de seus alunos. Discutir as melhorias que devem ser feitas na escola, no bairro, na cidade e no país. O professor deve ir na contramão da mídia dominante e alienadora. Deve mostrar aos seus alunos que eles não são inferiores e nem se tornariam superiores se tivessem um par de tênis da NIKE.

Paulo Freire, um dos maiores educadores do mundo.

Depois de ler Paulo Freire constatei o quão grandiosa é a profissão do educador. Ele é capaz de alimentar sonhos, ou também de destruí-los. Não há escapatória: todo o advogada, médico, engenheiro, executivo e etc já passaram pelas mãos de um professor e se perguntados com certeza se lembrarão de um que marcou suas vidas. Por isso, o fardo de responsabilidade é tão grande.
Professores do mundo, unir-vos! Não se envergonhem de sua profissão, ao contrário, orgulhem-se!
Não se esqueçam da máxima do grande filósofo Immanuel Kant:
“ O homem não é nada além daquilo que a Educação faz dele”.

Muito Obrigada.

Source:
Freire, Paulo : “Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa”, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2000.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000200013

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um momento de nostalgia

APRIL IN PARIS
 Ella Fitzgerald & Louis Armstrong


April in Paris
Abril em Paris
Chestnuts in blossom
Castanhas florescem
Holiday tables under the trees
Mesas debaixo das árvores no feriado
April in Paris
Abril em Paris
This is the feeling
Este é o sentimento
No one can ever reprise
Que ninguém nunca poderá reproduzir
I never knew the charm of spring
Eu nunca conheci o charme da Primavera
 I never met it face to face
Nunca o havia visto cara a cara

I never knew my heart could sing
Nunca soube que meu coração podia cantar
I never missed a warm embrace
Eu nunca perdi um abraço caloroso

Avenue des Champs-Elysées. Paris, Avril, 2010.

Till April in Paris
Até Abril em Paris

Whom can I run to?
Para quem eu posso correr?

What have you done to my heart?
O que você fez com o meu coração?


O que fizestes com meu coração, minha doce Paris?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A exclusão - Para refletir

 
Vivemos num sistema excludente por natureza. Num sistema onde é necessário que haja o pobre para existir o rico. O empregado gera o patrão. O feio dá  o brilho ao belo.
A conseqüência de tal sistema é uma sociedade de exclusão. Exclusão de tudo aquilo que foge dos padrões hollywoodianos e globais de beleza e sucesso. Os “diferentes” não têm espaço nem voz e são sempre marginalizados. Há certos locais, porém, onde a sociedade não tem escolha senão conviver com eles. Um deles é a escola. Numa instituição onde deveríamos aprender sobre respeito e cidadania é onde nasce grande parte do ódio presente nos dias de hoje. 
Um tema que está bastante em voga nos círculos de estudiosos da Educação e Psicologia é o tal do “bullying”. Você leitor já deve ter assistido a um desses filmes americanos de “High School”. Seguem algumas cenas típicas: o maior e mais velho rouba o dinheiro do menor e mais fraco; a gordinha é desprezada pelo capitão do time de futebol e por conseqüência é motivo de chacota da loura líder de torcida e suas fiéis escudeiras. Sem contar o grupo dos “nerds” que são usados pelos populares na época das provas finais com a ilusão de algum dia se tornarem "importantes" como eles. Todas essas situações clichês foram vistas durante muitos anos com naturalidade e deboche pela maioria da população. Apelidar o amiguinho de classe e eventualmente expô-lo ao ridículo não era visto por pais e professores como algo grave: “Coisa de criança”, “Brincadeiras bobas de adolescentes” alguns diriam. Será que dizem o mesmo sobre a “palestra” presenciada hoje pelos alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio de Janeiro? 
O “bullying” ou assédio moral, pra falar o português claro, trouxe também suas conseqüências para o Brasil.


O que vemos aqui é uma globalização do crime. Wellington dizia ter vontade de explodir um avião como havia sido feito nos Estados Unidos e passava a noites em claro diante do computador. Não me admira que sua revolta tenha sido encorajada por “amigos virtuais”, que também sofriam exclusão e preconceito. É muito triste, muito triste mesmo ver a humanidade se destruindo dessa maneira. Cada dia mais egoístas, na luta pelo dinheiro, poder e beleza, passamos por cima de tudo e de todos, sem nos lembrarmos que toda a ação tem sua reação. Wellington respondeu com a mesma força e ódio com que fora ejetado da sociedade. Sim, é culpado por seu crime hediondo, mas é também tão vítima quanto as crianças das quais ele arrancou brutalmente a vida. Ele é mais uma vítima do sistema que despreza e marginaliza os que fogem dos padrões.


Espero profundamente que essas crianças não tenham morrido em vão. Que a cena assombrosa dessa manhã de quinta-feira nos faça refletir sobre o papel que assumimos enquanto professores, pais, colegas de classe e trabalho, líderes e demais formadores de opinião. E que muito mais do que fanatismo religioso (muito presente na carta de Wellington), as instituições religiosas preguem a tolerância, a paz e a caridade.
Sim, caro leitor, eu ouso dizer que fora da igreja há salvação. Contudo ela nunca haverá fora do amor e do respeito ao próximo.

Muito Obrigada.

Source: http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/leia-trecho-da-carta-do-atirador-que-invadiu-escola-no-rj.html

sábado, 2 de abril de 2011

L'amour à la française


AMOR À FRANCESA

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 01 a 30/04/2011

http://www.cinefrance.com.br/atualidades/festivais/?festival=69

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A fuga

 Talvez o leitor nunca tenha ouvido assim como eu nunca havia, de Semiótica Peirciana.

Charles Sanders Peirce( 1839-1914) foi um gênio americano do final do século XIX e início do XX que se dedicou dentre tantas coisas ao estudo dos signos. Não, não são os do zodíaco! Para Peirce, signo é linguagem, ou seja, tudo aquilo que gera comunicação: desde palavras até as células que formam um embrião.

Charles Sanders Peice- Filósofo Americano
 Assim sendo, ele se difere dos linguistas tradicionais que se limitam à linguagem verbal. Para Peirce, o homem interpreta tudo que o cerca numa concepção triádica da firsteness (primeiridade, secundidade e terceiridade). A Firsteness ou primeiridade seria o campo do sentimento, uma interpretação emocional como uma música, um poema, um quadro, um sabor ou um odor. É o campo dos sonhos, do irreal, das fantasias. É o lugar onde podemos ser e fazer tudo que quisermos, mais ou menos como nos sonhos de Dicaprio em seu último e premiado filme Inception (A Origem). Somos os donos do mundo e o destino se curva aos nossos desejos. Mas existe a Secundidade para nos trazer de volta à realidade. É a arena do cotidiano, é energia, movimento, dor. Quando tomamos consciência de que uma coisa existe de verdade, estamos na secundidade. Finalmente, Terceiridade corresponde à camada de inteligibilidade, ou pensamento em signos, através da qual representamos e interpretamos o mundo. É a previsão de fatos futuros baseado na experiência da Secundidade.
Agora, diga-me, caro leitor, qual das “idades” mais lhe atraí?
Quando Russel diz em seu texto Minha vida (primeira publicação desse blog) que dentre as três paixões que moveram sua vida (amor, conhecimento e compaixão), essa última sempre o trouxe de volta à Terra, referia- se à volta para as desgraças de nosso planeta: pobreza, morte e dor. E fala isso com um um grande ar de tristeza, pois se pudesse, ficaria para sempre na Primeiridade, aquela dos sentimentos mais nobres e das possibilidades jamais imagináveis. Entretanto, não nos é permitido a estada eterna nesse lugar tão almejado. Aliás, quanto mais tempo insiste-se em ficar nesse mundo, mais duro e difícil é irremediável volta à vida real. Foi esse o dilema que sofreu a personagem que representava a mulher de Dicaprio em A Origem.


Inception (A Origem) Filme
 O mundo dos sonhos lhe parecia tão real e perfeito que quando ele trouxe-a de volta ela enlouqueceu. E num ímpeto, num ato de esperança de poder viver para sempre aquele sonho, ela comete suicídio, indo parar na sextaidade, ou seja, o inferno! (há há há, acabei de inventar essa 666idade! Bem, pra um bom lugar a insana não deve ter ido, visto que não nos é de direito tirar a própria vida, em hipótese alguma). O consumo de alucinógenos, um dos caminhos mais drásticos para se alcançar a Primeiridade, nada mais é do que uma fuga da realidade. Os viciados sempre buscam negar suas vidas, fugir dos problemas num ato tão covarde quanto o suicídio. Afinal, é sempre mais fácil escapar dos problemas do que enfrentá-los de frente, não é? Sim, a rotina é massante, o cotidiano enjoa e as vezes a vontade que nos dá é a de fugir, correr, desaparecer. No entanto, será que isso nos livraria de nossos problemas ou nos traria ainda mais deles? Fico com a segunda hipótese. Já dizia a frase de almanaque (perdoem-me a mediocridade com que termino um assunto de tamanha intelectualidade!):
“Ninguém disse que seria fácil, mas sim que valeria a pena.”

Muito Obrigada.

Source:
Aulas do Professor Gerson Tenório
Santaella, Lúcia Semiótica Aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
Santaella, Lúcia O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983 (Coleção primeiros passos)
Wikipédia Portugal : http://pt.wikipedia.org/wiki/Semi%C3%B3tica