sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sejas muito bem-vindo ao Jornal Cultural

                           
       
Caro leitor,


Muito obrigada por tua visita. Desejo poder dividir contigo algumas experiências e informações que considero interessantes. Parto do princípio de que todo o conhecimento deva ser compartilhado, pois é dando que se recebe e se extirpa o egoísmo do mundo.
Bem, ao invés de uma extensa apresentação pessoal, iniciarei com o texto “Minha Vida” de Bertrand Russell, com o qual muito me identifico:

Minha vida

Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governaram minha vida: o desejo imenso de amor, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como os fortes ventos, levaram-me de um lado para outro, em caminhos caprichosos, para além de um profundo oceano de angústias, chegando à beira do verdadeiro desespero.
Primeiro busquei o amor, que traz o êxtase - êxtase tão grande que sacrificaria o resto de minha vida por uma poucas horas dessa alegria. Procurei-o, também, porque abranda a solidão - aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa da margem do mundo, o insondável e frio abismo sem vida. Procurei-o, finalmente, porque na união do amor vi, em mística miniatura, a visão prefigurada do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isso foi o que procurei e, embora pudesse parecer bom demais para a vida humana, foi o que encontrei.
Com igual paixão busquei o conhecimento. Desejei compreender os corações dos homens. Desejei saber por que as estrelas brilham. E tentei apreender a força pitagórica pela qual o número se mantém acima do fluxo. Um pouco disso, não muito, encontrei.
Amor e conhecimento, até onde foram possíveis, conduziram-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos - odiosa carga para seus filhos - e o mundo inteiro de solidão, pobreza e dor transformam em arremedo o que a vida humana poderia ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posse, e também sofro.
Isso foi a minha vida. Achei-a digna de ser vivida e vivê-la-ia de novo com a maior alegria se a oportunidade me fosse oferecida.
(RUSSEL, Bertrand. Revista Mensal de Cultura, Enciclopédia Bloch, n. 53, p. 83, set. 1971.)

Bertrand Arthur William Russell nasceu no Reino Unido em maio de 1872. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1950, foi um dos maiores filósofos, lógicos e matemáticos do século XX.
Juntamente com Jean-Paul Sartre, Russell lutou contra a Guerra do Vietnã e a utilização de energia nuclear para fins militares. Desempenhou um papel pacificador de grande importância durante a Crise dos Mísseis em 1962. Faleceu em fevereiro de 1970.

4 comentários:

  1. Oi Professora!
    Quero lhe parabenizar pelo excelente assunto abordado em seu blog, foi atraves dele que encontrei respostas para no que tange a questões culturas. Também achei de excepcional gosto este texto "minha vida"

    De seu amigo Joe

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  2. Oi francezinha!
    Aqui estou e quero dizer que realmente a primeiridade e a melhor fase da semiotica para o ser humando viver sonhando, mas estamos em um mundo que não nos permite viver assim. No entanto e muito importante sonhar, sonhar nos da base para realizar. Portanto concluo este comentario com um ditado de Mr. Joe "o primeiro passo para a realização de um sonho e acordar"

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  3. Caro Joe,

    Muito obrigada por sua intervenção.
    Sim, infelizmente não podemos viver apenas na Primeiridade... tão bom seria se pudéssemos!
    Muito sábia sua frase "o primeiro passo para a realização de um sonho é acordar".

    Abraços!

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