segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Série: História na Arte - A Arte na História

Caros Leitores,

Gostaria de desculpar minha longa ausência. Estava vivendo uma crise existencial, mas agora estou curada.
Então decidi iniciar uma série de postagens que me obrigará a escrever toda a semana para não deixá-los na mão.
Como explico no cabeçalho do Blog, não sou especialista na grande maioria dos assuntos dos quais trato nesse jornal, e a História da Arte é um deles. No entanto, através de minhas leituras e experiências, tomo a iniciativa de iniciar este breve e resumido curso.

Bem, mãos à obra:

Para começarmos a falar sobre arte, devemos esclarecer o que entendemos por arte.
Como bem colocou Gombrich em seu livro "A História da Arte", duas concepções são possíveis:
a) Arte como aquilo que é belo, que serve para decorar um salão luxuoso e encantar nosso olhos;
b) Arte como objeto de utilidade. " (...) como algo poderoso para ser usado e não como algo bonito para se contemplar." (Gombrich, E.H., 1999, p.40).
Tomemos como princípio a segunda definição (b) visto que a primeira nos remete à uma ideia muito recente do que é Arte que não nos deixaria compreender as primeiras manifestações humanas que estudaremos nesta primeira etapa da Série.
Aprendemos na escola que as pinturas encontradas nas cavernas a partir do século XIX eram meras representações do cotidiano daqueles povos. Esta informação não é de tudo errônea. Contudo, além de uma expressão, os homens primitivos acreditavam que as situações que pintavam na caverna se tornariam reais, ou seja, eles acreditavam na força da imagem.

Pintura em caverna; Lascaux, França.
Ao pintar uma situação de caça bem sucedida ou vacas bem gordas e saudáveis, o homem primitivo acreditava estar atraindo aquelas imagens para sua vida. Uma concepção bastante contemporânea, haja vista a teoria do "poder da mente" e "atração" vastamente difundida nessa primeira década do século XXI.

Cena de caça. Pintura rupestre. Espanha.
A pintura rupestre, do latim rupes (rocha) só foi descoberta pelo homem moderno no século XIX, dentre as quais destacam-se:
- Caverna da Altamira na Espanha; (http://museodealtamira.mcu.es/)
- Caverna de Lascaux na França; (http://www.lascaux.culture.fr/)
- Caverna de Chauvet também na França; (http://www.culture.gouv.fr/culture/arcnat/chauvet/en/index.html)
- Gruta de Rodésia na África ;
- Parque Nacional Serra da Capivara no Piauí, Brasil. (http://www.fumdham.org.br/parque.asp) O Parque Nacional foi declarado em 2002  patrimônio cultural da Humanidade pela UNESCO.

Já que citamos o Brasil, cabe adicionar a informação sobre a suposta "primeira brasileira", nossa querida Luzia:

Crânio e reconstituição da face de Luzia.
Encontrado no sítio arqueológico Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, Mina Gerais, o fóssil denominado Luzia pelo professor Walter Neves da USP, é o mais antigo do continente americano. Pode-se descobrir que se tratava de uma mulher de aproximadamente 1,50 metros e que faleceu com pouco mais de 20 anos de idade, há cerca de 11,5 mil anos. O mais curioso é que, após diversos estudos, foi possível concluir que Luzia apresentava traços negróides, muito mais próximos dos africanos e povos primitivos da Austrália enquanto os outros habitantes do continente possuem característica dos povos mongolóides da Ásia.

Vale lembrar que a própria Pré História da Humanidade (situada na era Cenozóica do período Quaternário) é dividida em três momentos:
1) Idade da Pedra Lascada ou Paleolítico que vai desde a origem da humanidade até cerca de 10 mil a.C.;
2) Idade da Pedra Polida ou Neolítico;
3) Idade dos Metais que abrange os dois últimos milênios que antecedem o aparecimento da escrita (por volta de 3.500 a.C.).
Com o surgimento da escrita, o homem inicia uma nova fase denominada pelos historiadores como Idade Antiga, que é o tema de nosso próximo encontro.

Comecei a Série com a arte na Pré História não simplesmente para seguir um raciocínio cronológico; minha intenção era fazê-los enxergar a beleza fora dos parâmetros atuais. E essa sensibilidade de ver beleza nas coisas é algo que devemos desenvolver não somente para a compreensão da arte, mas para a compreensão da própria vida.

Muito obrigada.

Source:
GOMBRICH, E. H., A História da Arte, 16ª Edição, Rio de Janeiro, Editora LCT, 1999.
PROENÇA, Graça, Descobrindo a História da Arte, 1ª Edição, São Paulo, Ática, 2005.
FIGUEIRA, Garcia Divalte, História, Série Novo Ensino Médio, 1ª Edição, Ática, 2002.
http://www.historiadaarte.com.br/arteprehistorica.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário