Depois de um longo tempo sem notícias, cá estou eu de volta!
Antes de dar continuidade ao tópico sobre a História da Arte, gostaria de chamar a atenção de vocês, caros leitores, para uma discussão bastante pertinente: O que é Cultura? É válida a distinção entre "Alta" e "Baixa" Cultura? Um bom conhecimento de Cultura Geral é importante nos tempos atuais?
Como estudante de Letras que sou, busquei minha primeira definição em meu querido amigo Aurélio:
Cul.tu.ra [Lat. cultura] sf. 1. Ato, efeito ou modo de cultivar. 2. O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc, transmitidos coletivamente, e típico de uma sociedade. 3. O conjunto dos conhecimentos adquiridos em dado campo. (...)
É... não foi muito esclarecedor. Continuemos.
Eleonora Mendes Caldeira define: "Cultura, pois, entendida como produção humana para deleite próprio. A cultura tida, então, como alimento do espírito".
É de todo verdade que cada povo tem a sua cultura e que a cultura popular também tem o seu valor. No entanto a chamada "Cultura Clássica" está cada vez menos presente na vida das pessoas. Suporta-se a errônea ideia de que as massas não têm interesse por Literatura, dança, teatro e música erudita. A verdade é que pouco faz-se, sobretudo em nosso ilustre país, para divulgar esses movimentos nas classes menos favorecidas.
Está bastante em voga em países europeus e Estados Unidos livretes denominados "Cultura Geral". A tendência aproxima-se do Brasil; vi em uma livraria algumas edições da Coleção "For Dummies" traduzida para " Para Leigos". Trata-se de um resumão sobre determinado assunto, e.g : "Culinária Francesa para Leigos", "História Geral para Leigos" , e por aí vai. Adquiri recentemente o livro de um alemão um tanto quanto pretensioso. Em sua obra, intitulada "Cultura Geral -Tudo o que se deve saber", ele garante ser solidário "com aqueles que buscam conhecimentos e são alimentados por fórmulas prontas", ele também era assim.
Schwanitz é bastante crítico em relação à Cultura de massas. O autor dedicou um capítulo inteiro ao "O que não convém saber" onde critica os tabloides que invadem a vida privada dos famosos, os reality shows, programas sensacionalistas e humorísticos e finaliza dizendo que um verdadeiro intelectual nem TV possuí. Ai! Pobre rede Globo...
![]() |
| Cultura Geral - Tudo o que se deve saber |
Achei-o um tanto reacionário. Mas tive de concordar com a seguinte argumentação:
"Toda ostentação, ainda que cultural, é absolutamente incompatível com o conceito de cultura. Quem se vangloria da própria cultura só deixa transparecer que é inculto. (...)Mas, assim como todo o esnobismo relativo à cultura é proibido, também é impróprio mostrar-se melindrado por ele. (...) Por isso, são particularmente infelizes as suspeitas paranoicas de que os cultos são arrogantes e só querem humilhar os demais."
O desinteresse pela Cultura Clássica ou Geral é indesculpável. Acima de tudo para aqueles que têm condições de conhecê-la e apreciá-la. Como entender a sociedade contemporânea sem um bom conhecimento de História? É até mesmo uma "autoinjustiça" privar-se de ouvir uma música clássica ou uma ópera. Não apreciar uma peça teatral é no mínimo um grande gesto de ignorância. Reitero: a crítica se dirige àqueles que PODEM, que TÊM meios de atingir à essa Cultura, àqueles que sabem de sua existência mas não fazem o menor esforço em compreendê-la por acharem os clássicos "chatos demais".
A Cultura erudita não é superior à Cultura das massas. Ambas são cruciais para o bem viver de qualquer ser humano. Carateriza-se porém, uma grande falta de sensibilidade a rejeição aos clássicos. E é a missão desse blog, trazer você, caro leitor, para esse mundo extraordinário das artes. Compartilharei, à medida que também aprendo, o melhor das criações humanas e estarei, é claro, aberta para críticas, sugestões, correções e comentários.
Muito Obrigada.
Source:
SCHWANITZ, Dietrich. Cultura Geral: tudo o que se deve saber. 2 edição - São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.
PINSKY, Jaime (organização), CALDEIRA, Eleonora Mendes. Cultura e Elegância São Paulo, Editora Contexto, 2005.

A sua busca por uma definição do conceito de cultura me remeteu a discussões proposta por Jurgen Habermas na tentativa de definir o conceito de “intelecto geral” proposto de forma não sistemática por Marx! De antemão já afirmo que não sou profundo conhecedor de Habermas, nem estou com minha leitura em dia relativa a este autor.
ResponderExcluirDe qualquer forma, talvez a idéia de “intelecto geral” definida como um conjunto de saberes inter-subjetivamente compartilhados por uma determinada sociedade em um determinado momento histórico, pode colaborar ao seu intento inicial.
Quanto a dicotomia entre Cultura Erudita e Cultura Popular, talvez o um ramo da filosofia pode nos ajudar a compreendê-la, a estética, campo filosófico preocupado com a percepção do belo! Uma sugestão de pesquisa seria saber o que se entende por “belo”, pois signo tem seu significado mutável de sociedade para sociedade e de épocas em épocas.
A arte, enquanto expressão estética deve lidar tanto com seus aspectos formais e essenciais. As formas estéticas se relacionam as técnicas e tecnologias utilizadas, já a essência se refere aos conteúdos as motivações individuais (afetivas) e sociais (conjunturais), que em síntese produzem algo específico e belo (o que é belo?), belo para mim é algo que causa impacto se deferência (será que o belo é o erudito?), não sei dizer! Fica aqui muitas dúvidas sobre um tema que não domino, pois meu viés de historiador e economista me empobrece a crítico do belo, da estética!
Uma observação, há uma coleção chamadas “Primeiros Passos” da editora Brasiliense, fundada por Caio Prado Junior, que desde a muito tempo, com um entusiasmo de um enciclopedista do período Iluminista, vem publicando livretos sobre diversos assuntos, porém de qualidade muitas vezes pobres, outros interessantes, o importante é dizer que há um projeto desse tio já em “operação” no Brasil!
Fonte:
Para inspiração para definição de cultura, ver Teoria do Agir Cumunicativo de Jurgen Habermas.
Para estética me inspirei em diversas obras de Galvano Della Volpe.
Caro Vedetta! Saudações!
ResponderExcluirMuito obrigada por sua valiosa cooperação.
Fiquei ainda mais interessada em estudar estética e ler Habernas. Talvez meu próximo post seja sobre esse assunto.
Abraços!