quinta-feira, 7 de abril de 2011

A exclusão - Para refletir

 
Vivemos num sistema excludente por natureza. Num sistema onde é necessário que haja o pobre para existir o rico. O empregado gera o patrão. O feio dá  o brilho ao belo.
A conseqüência de tal sistema é uma sociedade de exclusão. Exclusão de tudo aquilo que foge dos padrões hollywoodianos e globais de beleza e sucesso. Os “diferentes” não têm espaço nem voz e são sempre marginalizados. Há certos locais, porém, onde a sociedade não tem escolha senão conviver com eles. Um deles é a escola. Numa instituição onde deveríamos aprender sobre respeito e cidadania é onde nasce grande parte do ódio presente nos dias de hoje. 
Um tema que está bastante em voga nos círculos de estudiosos da Educação e Psicologia é o tal do “bullying”. Você leitor já deve ter assistido a um desses filmes americanos de “High School”. Seguem algumas cenas típicas: o maior e mais velho rouba o dinheiro do menor e mais fraco; a gordinha é desprezada pelo capitão do time de futebol e por conseqüência é motivo de chacota da loura líder de torcida e suas fiéis escudeiras. Sem contar o grupo dos “nerds” que são usados pelos populares na época das provas finais com a ilusão de algum dia se tornarem "importantes" como eles. Todas essas situações clichês foram vistas durante muitos anos com naturalidade e deboche pela maioria da população. Apelidar o amiguinho de classe e eventualmente expô-lo ao ridículo não era visto por pais e professores como algo grave: “Coisa de criança”, “Brincadeiras bobas de adolescentes” alguns diriam. Será que dizem o mesmo sobre a “palestra” presenciada hoje pelos alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio de Janeiro? 
O “bullying” ou assédio moral, pra falar o português claro, trouxe também suas conseqüências para o Brasil.


O que vemos aqui é uma globalização do crime. Wellington dizia ter vontade de explodir um avião como havia sido feito nos Estados Unidos e passava a noites em claro diante do computador. Não me admira que sua revolta tenha sido encorajada por “amigos virtuais”, que também sofriam exclusão e preconceito. É muito triste, muito triste mesmo ver a humanidade se destruindo dessa maneira. Cada dia mais egoístas, na luta pelo dinheiro, poder e beleza, passamos por cima de tudo e de todos, sem nos lembrarmos que toda a ação tem sua reação. Wellington respondeu com a mesma força e ódio com que fora ejetado da sociedade. Sim, é culpado por seu crime hediondo, mas é também tão vítima quanto as crianças das quais ele arrancou brutalmente a vida. Ele é mais uma vítima do sistema que despreza e marginaliza os que fogem dos padrões.


Espero profundamente que essas crianças não tenham morrido em vão. Que a cena assombrosa dessa manhã de quinta-feira nos faça refletir sobre o papel que assumimos enquanto professores, pais, colegas de classe e trabalho, líderes e demais formadores de opinião. E que muito mais do que fanatismo religioso (muito presente na carta de Wellington), as instituições religiosas preguem a tolerância, a paz e a caridade.
Sim, caro leitor, eu ouso dizer que fora da igreja há salvação. Contudo ela nunca haverá fora do amor e do respeito ao próximo.

Muito Obrigada.

Source: http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/leia-trecho-da-carta-do-atirador-que-invadiu-escola-no-rj.html

2 comentários:

  1. Oi francesa, bom noite!
    Parabéns pela matéria

    Lamentavelmente estamos vivendo momentos que realmente víamos somente em filmes ou então em outros países que se dizem desenvolvidos.
    Meu Deus que tragédia!que desgraça!
    Quem poderá reverter este quadro, ou estaremos a mercê desse tipo de delinqüentes chamados vitimas da “sociedade”, do "bullyng"
    Será que o principal motivo desta tragédia é realmente o tal “bullying” somente o ele? E porque não incluir a mídia, nossos governantes e todos os representantes políticos?
    Apesar da minha indignação por esses ora citado, o principal é com os meios de comunicação escrita, televisiva e outro. Nos três primeiros dias que se sucedeu o fato podíamos encontrar a nas bancas cara do assassino estampada nos principais jornais, revistas em todo país. Por que não estamparam o Sargento e o Cabo da Policia Militar do Rio De ?Janeiro, que foram ovacionados como heróis?
    Talvez não desse tanta repercução “$”. Os valores estão realmente invertidos, vale mais falar da atitude, comportamento e toda a desgraça pelo assassino praticado, a ter que falar de heróis e seus ato.Dois homens que sairam de casa deixando suas famílias para defender seu pão e a vida de pessoas comuns como nós. Também não fica fora a mídia televisiva, que aproveita destas tragédias ou desgraças para bombardear os nossos lares com esse jornalismo barato e sensacionalista. Além disso, nem se importa que estejam marketeando o “bullyng” e esses tipos de tragédias, desgraças passando informações e detalhes importantes de como reagir ao “bullyng”, encorajando suas vitimas que já tem a predisposição em praticar essas delinquêcias.
    Em suma, será que tantas informações e tantas imagens são necessárias? Será que ao invés disto não se encontra "alguém" para que possamos cobrar e a mídia porque não nos ajuda nessa causa a encontrarmos alguém que possa oferecer recursos, a fim de impedir esses tipos de tragédia? Por exemplo: os politicos recentemente eleitos por nós, será que são competentes e capazes de fazer algo por nós?
    Até quando continuaríamos a mercê da sorte sem que alguém de direito faça algo por nós?
    Portanto, não podemos permitir que nossas famílias, nossos filhos sofram com ataques deste suposto importante mundo da informação. Informa, no entanto destrói. Vamos blindar nossas familias, nossos filhos, lembrando que a FAMILIA É A BASE DA SOCIEDADE.
    Reflita:
    “Quantas vezes ficamos despercebidos,
    das jóias que Deus coloca em nossas mãos.
    Não valorizamos o que temos,
    por está à nossa frente, ao nosso lado,
    ao nosso alcance, e num relance... Perdemos!
    Muitas vezes, procuramos o que já temos.
    Nessa procura, trocamos: ouro por cobre;
    diamantes por vidro; e, pedras preciosas por seixos.”

    Esther Rogessi
    Mr. Joe

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  2. Dear Mr. Joe,

    Obrigada novamente por sua participação, sempre muito enriquecedora.
    Estou de total acordo no tangente ao papel da mídia no caso. Pouca ou nenhuma atenção foi dada aos policiais. No entanto, se eles tivessem feito alguma coisa errada, seu erro seria motivo de muito $$$ nas bancas e TV.

    Concordo também no que tange os nossos governantes. É claro que o "bullying", a violência dentro e fora da escola e a falta de encaminhamento e atendimento psicológicos é culpa do Estado. Afinal, para onde vai o dinheiro dos altíssimos impostos que pagamos? A Suécia é um dos países com maiores impostos no mundo, no entanto a população paga sem reclamar, já que é possível "ver pra onde o dinheiro vai".
    Ah... tantos problemas, tantos...
    Mas ainda bem que existem pessoas como nós que nos dispomos a pensar e agir, mesmo que minimamente, contra as injustiças desse país.

    Para finalizar, você terminou seu comentário dizendo algo importantíssimo. A família ( eu incluria também a Educação) são a base de tudo.
    O ser humano for sua personalidade durante a infância. Qualquer trauma que venha a sofrer nesse período pode ser irreversível. Uma família estabilizada = filhos estabilizados.

    Oxalá o dia em que haverá harmonia em todos os lares desse planeta.

    Abraços

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